domingo, 26 de abril de 2009

Páginas da História - A Defesa - 30 de Março de 1955

O jornal A DEFESA, de Campinas, foi um dos primeiros a tratar do assunto “última benção”, em sua edição de 30 de Março de 1955. Note que a data prevista estava marcada para um mês depois da que realmente aconteceu.
“Inicialmente fomos informados de que o Pe. Lima, prodigalizará sua benção só até o dia 30 de Junho próximo, depois do que se recolherá a lugar ainda não determinado. Outro pormenor é de que não mais o pároco atende para benção particulares, abençoando a todos coletivamente, duas vezes ao dia, sendo a 1ª vez pelas 9 horas da manhã, e a segunda às 20 horas. (...) Continua o sacerdote a receber a visita de ilhares de peregrinos, sendo que, só pela manhã, no dia dessa semana, fomos informados, haviam passado pela Casa Paroquial, nada menos de 20.654 romeiros, na expectativa de um milagre. (...) Na ocasião em que foram recebidos os srs. Javarone e Gobo (Comissários de Menor de Campinas que relataram os fatos ao jornal), estava presente (...) o sr. José Gatto, presidente da Câmara Municipal de Tambaú”.

Outras notícias do mesmo exemplar:

  • “Candidatura Militar não faria frente a Kubitschek.”
  • “João Goulart teria insistido com Jânio a aceitar a candidatura”.

Páginas da História - Correio Paulistano - 24 de Março de 1955

“Da Espanha, um fiel, que recebeu uma grande graça, e que atribui às bênçãos do padre Donizetti Tavares de Lima, enviou 100 pesetas, como esmola, importância essa que foi destinada pelo padre aos pobres, informou mais que viria à Tambaú para agradecer à Nossa Senhora de Aparecida tal graça, e, se possível, pois, organizava em louvor à Nossa Senhora da Aparecida, de Tambaú uma romaria de 400 peregrinos espanhóis.(...)
Em Tambaú, ao que se diz, há no momento, 27 “retratistas”, vindos temporariamente, de Aparecida do Norte.
O Comércio de objetos religiosos tomou, é óbvio, incremento extraordinário. No início, dizem, houve larga exploração. Mas não durou muito, pois, padre Lima advertiu-os publicamente que não toleraria tal estado de coisas e que iria pedir providências às autoridades competentes para que punissem com energia os infratores das leis. “

Outras notícias do mesmo exemplar:
  • “Faleceu ontem o ex-presidente Arthur Bernardes”
  • “Convulsa a política inglesa com o possível afastamento de Winston Churchill do governo”.

Anúncio publicitário no jornal, nesta mesma data:

  • “Hoje! PRK-30 com Lauro Borges e Castro Barbosa. Agora na Rádio Nacional às 5ª feiras às 21 horas”.

Páginas da História - Correio Paulistano - 17 de Março de 1955

Uma matéria do jornal Correio Paulistano, de 17 de Março de 1955, trazia em sua manchete “Os Milagres do Padre de Tambaú”, matéria assinada por José Victor Pedroso Chagas:
“O Padre Donizetti não é nenhum santo e não fez milagres, e timbra, constantemente, em seus sermões, em alertar os fiéis para que não interpretem enganosamente a sua missão, que é apenas ser instrumento da vontade de Deus, que, repetidamente, vem evidenciando em Tambaú, a Sua misericórdia, pelos grandes milagres ocorridos (...)
E foi então que o “Correio Paulistano”, desejando informar fielmente os seus leitores, enviou-me a Tambaú. (...) Em primeiro lugar entrei em contato com o sr. Nicolau Torelli, com quem passei a examinar as declarações dos que alcançaram graças. Desde logo informou que o total das declarações é de 176. “

Outra notícia do mesmo exemplar:
  • “Seis horas para um telefonema entre Santos e S. Paulo”.

sábado, 25 de abril de 2009

Páginas da História - Correio Católico - 14 de Março de 1955

O CORREIO CATÓLICO de Uberaba – MG, traz duas manchetes alertando para os acontecimentos no interior do Estado vizinho: “Fatos Prodigiosos Abalam uma Cidadezinha Paulista” e “Um Sacerdote Piedoso Abala o País”.
O corpo do texto trazia o seguinte relato: “No dia 9 do corrente um moça de Uberaba (senhorita Iolanda Vilas Boas, residente à rua Marechal Deodoro) foi testemunha de um acontecimento desta natureza. Três pessoas – é ela própria que nos conta – em meio à pequena humanidade ali reunida, puseram-se a gritar, quase ao mesmo tempo, dizendo-se libertas das doenças que lhe afligiam”.

Outras notícias do mesmo exemplar:
  • “Derrotado candidato de Jânio Quadros. Eleito Franco Montoro para a Assembléia Paulista”
  • “No Maranhão, quando fazia propaganda política, tendo a bordo o locutor Carlos fRias, foi acidentado o avião de Assis Chateaubriand, que ficou destroçado. O locutor e piloto nada sofreram”.

Anúncio publicitário no jornal, nesta mesma data:


  • “Vasp – Uberaba – São Paulo – Rio: Diariamente às 8.30”

Páginas da História - Folha da Tarde - 27 de Janeiro de 1955

Neste seção do blog - Páginas da História - estarei reproduzindo trechos de jornais que trouxeram matérias sobre Tambaú e seu Sacerdote.
Para ilustrar melhor a época, reproduzirei, ao final da reportagem, manchetes sobre outros acontecimentos daquelas datas e anúncios publicitários curiosos.

Para começar, uma matéria do jornal FOLHA DA TARDE (pertencente ao grupo Folha de S. Paulo), que trazia em sua manchete “Tambaú – Concentração de Fé e Esperança”.
A matéria, assinada por Hideo Onaga, importante jornalista da época, relatava os seguintes acontecimentos:
“Tambaú... Esse nome, até há pouco quase desconhecida, da tranqüila cidade de 6 mil habitantes, localizada na Mogiana, no interior paulista, ecoa hoje sono pelo país.
É que milhares de pessoas, de todas as idades e classes sociais, procuram o padre de Tambaú: Donizetti Tavares de Lima, alto e forte, não obstante seus 73 anos de idade.
Seis trens passam diariamente por Tambaú, superpovoando, de repente, as ruas da cidade. As composições chegam abarrotadas e prosseguem uma viagem sem sentido, na cega obediência aos trilhos. (...) Quando o trem se esvazia na estaçãozinha espantada com o extraordinário movimento, as centenas de romeiros se dirigem apressadas, como se receosas de perder o lugar, diretamente à praça Antonio Lapa, onde mora o padre Donizetti Tavares de Lima, em cujo centro está a pequena igreja de São José. (...)
Aos domingos é maior o número de peregrinos. Num dos últimos, o contador mecânico registrou 9.700 pessoas, isto é, 9.700 pessoas desfilaram diante do padre Donizetti e receberam sua benção individual. Pelo número de peregrinos que tiveram de contentar-se com a benção coletiva, por falta de tempo material, calculou-se que nesse dia a população de Tambaú se eleva a 20.000 almas.“.

Outras notícias do mesmo exemplar:
  • "Nova evasão de detentos do presídio do Hipódromo”
  • “São Paulo precisa de um serviço de identificação à altura de seu progresso”.

Anúncios publicitários no jornal, nesta mesma data:

  • “Sonoridade e beleza incomparáveis nos novos modelos Radiola – Mesbla”
  • “Vôos diários para os Estados Unidos” – Pan American


sábado, 7 de fevereiro de 2009

Aquela Sexta-Feira de 1929


“A história é um conjunto de variáveis”, afirma John Parker. E segundo o dicionário Michaelis, “variável” é algo sujeito a variações, inconstante, mudável. Conclui-se daí que, se seguirmos o ponto de vista de Parker: a história muda.

E estamos falando de história no sentindo literal, histórico. Ou seja: o que existiu, o que aconteceu, o que seria, na teoria, imutável. E não variável.Mas também estamos falando de décadas e décadas de pouca informação, restrições tecnológicas, gerações se sucedendo e contando, à sua maneira, a sua história. Como um enorme e atemporal “telefone sem fio”.


E é daí que nascem as lendas, os mitos, a crença popular e a nova verdade. Até que, entretanto, as variáveis se afunilam e, através de documentos e relatos, tornam-se novamente: a história.


Toda essa introdução para prefaciar as conclusões da minha própria pesquisa sobre um fato ocorrido há mais de oitenta anos, precisamente no dia 11 de Outubro de 1929: o Incêndio na Matriz de Santo Antônio.


A edição nº 1068 do Jornal “O Tambahú” de Domingo, 13 de Outubro de 1929, traz em sua última página a notícia intitulada “Incêndio na Matriz”.


Vou reproduzir aqui trechos da matéria. E como reforma ortográfica está novamente em moda, manterei a forma e grafia com que foi redigida na época:


“Pela manhã de ante-hontem foi o povo desta prospera cidade tristemente suprehendido em seus affazeres pelo subitâneo incendio da Igreja de Santo Antonio, matriz desta parochia. As 8 horas da manhã, pouco mais ou menos, corria pela cidade a lamentável noticia, tendo o povo acorrido em massa, dirigindo-se para o local; porém, pela escassez d’agua e falta de appareihamento adequado a extincção de incendios, nada conseguiu fazer, pois o fogo já era intenso; embora transportando água em latas das casas vizinhas e por meio de caminhões, foram apenas salvos duas imagens pequenas e outros objectos do culto, sendo o mais devorado pelas chammas e restando apenas as paredes da referida matriz”. (“O Tambahú”, 13 de Outubro de 1929).


Deste trecho podemos destacar duas informações: a primeira é o horário do início do incêndio – por volta das oito horas – dado já assinalado pelo Padre Donizetti Tavares de Lima, no livro Tombo nº 2 da paróquia, à página 48 que traz exatamente o seguinte texto: “A onze de outubro deste anno de mil novecentos e vinte e nove, às 8 horas da manhan, quando precisamente o vigário celebrava missa na egreja São José, sita no Patrimônio, dava-se o pavoroso incendio que fez arder completamente a egreja Santo Antonio, matriz local. Estava ella confiada a Ernesto Rissardi e empregados, para limpeza e reparos externos, trabalho que custou uns treze contos de reis. Examinados os destroços, paredes, fios queimados, por um technico competente, foi constatado que teve por origem um curto-circuito. Nada se poude fazer em favor da parocchia em vista de natural proteção das autoridades locais à Companhia Força e Luz São Valentim.”


A segunda e intrigante informação é a frase “foram salvos duas imagens pequenas”. Até então tínhamos como certo apenas o salvamento da imagem de Nossa Senhora. O jornal “O Tambahú”, no entanto, não denomina quais eram as imagens.


Apenas como curiosidade, acrescento aqui, antes de entrar em outros detalhes, mais um trecho da referida matéria:


“Conforme fomos informados, o prejuízo monta em cento e cincoenta contos de reis aproximadamente. O commercio desta cidade permaneceu fechado e diversas fabricas suspenderam os serviços durante esse dia, em signal de pezar”. (“O Tambahú”, 13 de Outubro de 1929).


Quando resolvi aprofundar um pouco este assunto fui até a biblioteca municipal procurar no arquivo do jornal “O Tambaú”, que está sendo reorganizado, a edição que relatava o incidente na Matriz. Não encontrei o exemplar naquela ocasião, apenas semanas depois.Os exemplares de 1929 foram encadernados e estão guardados em outro local até que a biblioteca tenha um local adequado para o armazenamento e conclua a encadernação dos demais exemplares.Há poucos dias, pesquisando também o acervo do Museu Histórico “Ernesto Ricciardi” – igualmente passando por uma reorganização – encontrei recortes de um exemplar do jornal “A Ordem – Órgão do Partido Republicano de Tambahú” que, confesso, não sabia que existia.Com redação à Rua Santo Antonio, nº 10 e sob direção de Antonio de Almeida Santos Sobrinho, a edição nº 140, de 13 de Outubro de 1929, traz como manchete “Matriz de Santo Antonio – Pavoroso Incendio destroe o Bello Templo da Cidade”.


A exemplo do anterior, reproduzo aqui trechos da matéria com a grafia original:


“Pelas sete e meia, mais ou menos, da manhan de sexta-feira ultima, 11 do corrente, uma notica pungentíssima sacudia a população local: a nossa matriz era presa de um incêndio.A essa hora, de facto, muita gente já havia observado, à distancia, a ascensão de grossos e negros rolos de uma fumaça, pelas immediações do Largo de Sto. Antonio, mas sem nunca suppor que tremenda catastrophe se realizava.Entretanto, a nova acabrunhadora célere se foi propalando. Padre Donizetti, o virtuoso e incansável vigário da parochia, celebrava, na egreja de São José, a missa habitual. Ahi chegou-lhe o aviso. Finda a cerimonia seguiu, sem perda de tempo, para a igreja sinistrada, em cujas proximidades a multidão, que accorrera aos primeiros rebates, pronta a prestar auxílios, assistia, estupefacta, ao seu desmoronamento. É que já era impossível qualquer esforço: o fogarêo, pressentido tarde demais, já havia assoberdado o templo. Inútil qualquer tentativa”. (“A Ordem”, 13 de Outubro de 1929).


Destaco uma citação deste trecho: “Padre Donizetti, o virtuoso e incansável vigário da parochia, celebrava, na egreja de São José, a missa habitual. Ahi chegou-lhe o aviso”.Portanto, segundo este jornal, publicado dois dias após o fato, Padre Donizetti estava celebrando na Igreja São José quando ocorreu o incêndio, fato também confirmado pelo relato do livro Tombo.Continuemos acompanhando a notícia, em um trecho que, se não muda a história como a conhecemos, acrescenta elementos importantes:


“Alguns abnegados, porém, em lances heróicos, vencendo as chammas, haviam lhes arrebatado a pequena imagem de Santo Antonio, orago da cidade, a primeira que para cá viera, há 40 annos, destinada à capellinha construída pelo Cap. David de Almeida Santos, há tempos demolida; e, bem assim, a imagem, também pequena, de Nossa Senhora d’ Apparecida, milagrosa padroeira do Brasil, e alguns paramentos.” (“A Ordem”, 13 de Outubro de 1929).


O trecho cita alguns “abnegados”, palavra que define “o que se sacrifica desinteressadamente por alguém ou alguma coisa”. Nota-se que são citados no plural, portanto mais de uma pessoa teria entrado na igreja em chamas para salvar as imagens, também no plural.


Sobre a imagem de Nossa Senhora não é preciso acrescentar nada, tamanha a sabedoria popular e relatos posteriores existentes. Segundo esses próprios relatos, de pessoas com mais idade, de historiadores e pesquisadores, um desses “abnegados” teria sido o senhor Ângelo Latari, fato confirmado por sua viúva Ana Silva Latari, hoje com 95 anos, residindo em São Paulo e completamente lúcida.


Respondendo a questão 5.20 do primeiro “Questionário para Testemunhas” elaborado pelo então postulador Padre Dante Donzelli e pelo colaborador José Wagner Azevedo (em 8 de Setembro de 1993) onde se perguntava “que detalhes V. Sa. sabe sobre o incêndio da Igreja Matriz de Santo Antônio?” e “Qual foi o comportamento do Padre em relação a este acontecimento?”; Vera respondeu da seguinte forma: “Ele ficou muito abalado com o incêndio. A igreja estava se queimando e o povo estava assistindo sem poder fazer nada. O senhor Ângelo Latari entrou pelo lado da igreja, em meio as chamas, arriscando a vida, e retirou a imagem de Nossa Senhora, sem sofrer nenhum arranhão”.
A matéria do jornal “A Ordem” cita ainda “a pequena imagem de Santo Antonio, orago da cidade, a primeira que para cá viera”, que também teria sido salva pelos corajosos homens. Orago é uma palavra do português europeu que significa “padroeiro”.


Concluímos então, não por dedução pessoal e sim pelo relato da imprensa publicada dois dias depois do incêndio – a exemplo de hoje, os jornais eram publicados semanalmente – que duas imagens foram salvas do incêndio.


Atente para o fato do primeiro jornal (O Tambahú) citar isso: “foram apenas salvos duas imagens pequenas” e do segundo (A Ordem) relatar inclusive quais foram elas.


A imagem de Nossa Senhora está hoje de posse da Paróquia do Santuário Nossa Senhora Aparecida, construído justamente “para a conservação da milagrosa imagem”, conforme edital que teria sido publicado pelo Padre Donizetti em 1946 (informação descrita na revista Monografia Brasileira – Tambaú, pág. 7, em 1964).


A imagem de Santo Antônio, que igualmente teria sido salva do incêndio e, claro, confirmando-se ser a mesma em questão, estaria sob responsabilidade de uma família, não citada aqui por questões éticas, desde a década de 60 ou 70, por ordem do então pároco Padre Luis Girotti.


“A população, compungida, contemplava a tudo aquilo com lágrimas nos olhos. Durante todo o dia foi intensíssimo o movimento no Largo Santo Antonio e muitos foram os commentarios a respeito do sinistro cuja causa, até a hora em que traçamos estas linhas, não estava ainda perfeitamente averiguada (...) Attendendo ao appelo do Prefeito do município, o comercio cerrou as portas, em manifestação de pesar, assim que foi divulgada a catastrophe e, pelo mesmo motivo, a empresa do Cine Royal suspendeu o espectaculo desse dia.” (“A Ordem”, 13 de Outubro de 1929).


Outra edição do Jornal “O Tambahú”, em 24 de Maio de 1931, sob o título “As Obras na Matriz”, já fala da reconstrução e cita o trabalho de dois homens: Ângelo Latari (“Chamam-nos. É o Angelo Lattari. Estende-nos sorridente a mão. Convite amável: - Não quer ver como vão adiantadas as obras na Matriz?”) e Ernesto Ricciardi (“No alto, sobre os andaimes da capella-mór, o Ernesto Ricciardi pincelava”). 


Esta matéria não tem nenhuma intenção de reverter fatos, provocar polêmicas, desconstruir crenças ou denegrir o que quer que seja. E muito menos de alterar, apesar do pleonasmo, as variáveis da história.


Tem sim o objetivo de trazer ao conhecimento de todos, mais de oitenta anos depois, detalhes curiosos de um acontecimento que, hoje sabemos, mudou para sempre a história de uma cidade, confirmando a fé de um povo, a bravura de tambauenses, a santidade de um sacerdote e o poder de Deus, materializado em centenas de milhares de milagres que se sucederam àquela manhã de sexta-feira de 1929.




No livro “Padre Donizetti de Tambaú”, de José Wagner de Azevedo, há o relato de Maria do Rosário Meirelles que descreve “Havia acabado a missa da Igreja São José, lá pelas 8:00 h. Era um dia de semana. Aparecida Resende, Mariquinhas Resende, o Padre e eu saíamos da Igreja. Vimos ao longe o incêndio da Igreja Santo Antônio. (...) Alguém pega o Padre de carro e o leva rapidamente para o local do incêndio. Eu subi, a pé, apressadamente com as companheiras. A igreja fumegava. A fumaça saía pela torre. O Ângelo Latari salvou a imagem de Nossa Senhora Aparecida.”

Outra confirmação deste nome dá-se através do relato da senhora Vera Parreira Sandoval, falecida há cerca de um ano, em seu depoimento ao Processo de Beatificação do Padre Donizetti.

Paulo Rogério B. Rocco

terça-feira, 28 de outubro de 2008

A Morte de Donizetti

Depois de interromper as romarias, Padre Donizetti volta à calma antiga, após sete meses em que deu sua bênção a mais de quatro milhões de pessoas.
Tambaú mergulha na paz, como em outros tempos. As ruas não precisam mais serem varridas duas ou três vezes por dia. A dedetização diária não precisa mais acontecer. Milhões de cartas continuam chegando do mundo todo.
O vigário proíbe manifestações a ele, dizendo que todos os milagres vêm de Deus e de Nossa Senhora.
Depois de trinta e cinco anos de intensa atividade, a saúde do vigário de Tambaú começou a se debilitar. Padre Donizetti já não celebrava. Monsenhor Davi, da nova diocese de São João da Boa Vista, à qual Tambaú veio a pertencer, passou a visitar Tambaú aos sábados, domingos e dias santificados, para os serviços paroquiais da cidade. Era o início do fim.
Onze horas e quinze minutos do dia 16 de junho de 1961. Naquele momento o silêncio parecia ter a intensidade de uma sinfonia mágica, executada num órgão de tubo, em uma capela na lembrança de milhares de pessoas. O Padre Donizetti estava morto.