terça-feira, 28 de outubro de 2008

A Morte de Donizetti

Depois de interromper as romarias, Padre Donizetti volta à calma antiga, após sete meses em que deu sua bênção a mais de quatro milhões de pessoas.
Tambaú mergulha na paz, como em outros tempos. As ruas não precisam mais serem varridas duas ou três vezes por dia. A dedetização diária não precisa mais acontecer. Milhões de cartas continuam chegando do mundo todo.
O vigário proíbe manifestações a ele, dizendo que todos os milagres vêm de Deus e de Nossa Senhora.
Depois de trinta e cinco anos de intensa atividade, a saúde do vigário de Tambaú começou a se debilitar. Padre Donizetti já não celebrava. Monsenhor Davi, da nova diocese de São João da Boa Vista, à qual Tambaú veio a pertencer, passou a visitar Tambaú aos sábados, domingos e dias santificados, para os serviços paroquiais da cidade. Era o início do fim.
Onze horas e quinze minutos do dia 16 de junho de 1961. Naquele momento o silêncio parecia ter a intensidade de uma sinfonia mágica, executada num órgão de tubo, em uma capela na lembrança de milhares de pessoas. O Padre Donizetti estava morto.

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