Dia 22 de maio de 1955.Tambaú é palco de um dos mais belos, inéditos e grandiosos espetáculos do mundo. Uma chuva de pétalas de rosas cai sobre a cidade, mais precisamente sobre o bairro conhecido como Patrimônio, onde ficava a Igreja de São José e a Casa Paroquial, onde morava o pároco da cidade e o homenageado pelas pétalas perfumadas que caiam do céu: Padre Donizetti Tavares de Lima.
Naquele dia, o Sacerdote com sua indefectível batina negra, sai à janela de sua casa e profere as seguintes palavras: “Hoje é o último dia para todos, indistintamente, desde o rico até o pobre. O homem mais poderoso não quebrará esta minha decisão”.
Estava terminado, Padre Donizetti encerra, por vontade própria, as já mundialmente famosas bênçãos miraculosas, que duraram sete meses, onde o pároco de Tambaú deu sua bênção a mais de quatro milhões de pessoas.
Desde Março de 1954, a fama do Padre Donizetti se espalhou por toda parte. As romarias para Tambaú eram a maior revolução espiritual que um povo, que uma cidade, jamais sofrera.
As pessoas com melhores condições financeiras viajavam de avião para Ribeirão Preto ou Campinas e depois seguiam para Tambaú em carros, ônibus e trem.
Quarenta mil pessoas formavam procissões de um quilômetro de extensão que caminhavam até a praça dos milagres. E estes se sucediam pelas ruas da cidade: paralíticos, surdos, mudos, cegos, tuberculosos, cancerosos, portadores das mais estranhas doenças; desiludidos, desenganados pela ciência, restabeleciam-se completamente.
Deixou de existir a até então chamada Tambaú “Cidade das Chaminés Fumegantes” para se transformar na “Cidade dos Milagres”.
Os romeiros dormiam em alpendres e nas ruas. Moradores locais distribuíam água nos portões das casas. Cada gole era disputado como se fosse o último.
E esta multidão foi uma das principais razões da decisão tomada por Padre Donizetti: a cidade não comportava mais tanta gente pelas ruas. Faltava comida, a água era insuficiente, não havia mais lugar para se descansar, as ruas precisavam ser dedetizadas diariamente para evitar a propagação das doenças.
A praça da igreja São José ficava em absoluto silêncio quando aquele homem subia ao altar para celebrar a missa ou dar a benção da porta de sua casa.
E naquele 22 de Maio, o silêncio rompeu-se em uma saudação de milhares de almas, representadas por cada uma daquelas pétalas que forraram as ruas de paralelepípedos da pequena cidade do interior de São Paulo.
E como viríamos saber, alguns anos depois, as palavras de Padre Donizetti, concluindo a mensagem sobre sua última benção, tornaram-se proféticas:
“Entretanto, recolhendo-me à solidão da cela, não deixarei de dar a benção todos os dias, às nove e às vinte horas, a quem quer que dela necessite, em qualquer parte do mundo. Bastará que nessas horas as pessoas que desejarem, façam um pedido e pensem em mim”.
E todos foram e continuam sendo atendidos.
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