quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Vozes do Passado - Irmãs Sandoval

Paulo Rogério B. Rocco

“Quem sonhou só vale se já sonhou demais. Vertente de muitas gerações. Gravado em nossos corações, um nome se escreve fundo”.

(Beto Guedes e Ronaldo Bastos)


Continuando nossa série de reportagens realizadas há mais de trinta anos, tendo como tema o Padre Donizetti Tavares de Lima, transcrevo aqui uma entrevista realizada em 21 de Julho de 1979 que mais parece um bate-papo, igual a tantos que presenciei, sendo vizinho desde que nasci, desta família que fez parte da história de Tambaú: as irmãs Parreira Sandoval.

Filhos de Osmundo Sandoval e Maria das Dores Parreira, a família era formada por Maria, Vera (foto), Constança, Ruth, Inês, Julieta, Maria Angélica e Sérgio. Infelizmente todos já são falecidos.

Nesta gravação aparecem as vozes de Maria e de Vera (das três, a última a falecer, em 2007, aos 90 anos). Constança também estava presente, mas como era de seu hábito, quase não falou.
Bem vindos novamente ao trem da história.

Entrevista com Irmãs Parreira Sandoval

Pergunta – Padre Donizetti era uma pessoa calma, tranquila?
Maria – Calmo, tranquilo? Ele era bravo. Eu tenho a impressão que é por isso que ele se “caricaturizava” um pouco.

Vera – Era como um santo gaiato que colocava o chapéu de lado. Cheguei na casa dele um dia. Ele usava o barrete de lado. Eu perguntei: “Padre Donizetti, o que é isso? Hoje o senhor está dando uma de santo?”. Ele deu uma risada e respondeu: “Ué minha filha, por que você está pensando assim?”. Eu disse: “Porque faz uns três ou quatro dias que eu li a vida desse santo”.

P – Por que ele saiu de Vargem Grande?
Maria – Eu acho que ele saiu de lá porque o Padre Donizetti tinha a cultura muito avançada, muito pra frente, com muito saber. E aquele tempo havia aquele negócio de coronelismo. Por exemplo: uma moça ia trabalhar na casa de uma família rica, aí o moço da casa abusava da moça, não casava com ela e dava um dinheiro. E Padre Donizetti achava que todas as pessoas deveriam ser respeitadas, que tinham que ter respeito pela dignidade humana. Ele foi tachado de comunista porque dizia que o homem não tem classificação social. Não aceitava que um fosse chique, outro fosse do segundo time, outro ignorante. É um ser humano que merece respeito. Ele fazia essas coisas em Vargem Grande. Diziam que ele era comunista porque não gostava dos ricos.

P – Ele não gostava dos ricos?
Maria – Gostava. Ele gostava de todo mundo. Ele gostava de gente correta.

P – Mas os maiores inimigos dele...
Maria – ...eram os ricos.

P – Mas o que ele falava diretamente com os ricos?
Maria – Ele queria justiça social. Que os patrões pagassem seus empregados. Que os patrões respeitassem a figura dos seus empregados. Que as autoridades, dirigentes do povo, servissem ao povo e não o povo servisse às autoridades.

P – Ele fala isso no púlpito?
Maria – Ele falava. E falava isso aqui em Tambaú.

Vera – Falava de direitos humanos.

P – Ele falava de direitos humanos?
Maria – Falava. Estou dizendo que ele era um homem pra frente. Nós sabemos disso há tantos anos. O que se fala hoje, ele já conversava conosco. Ele chegou a Tambaú em um dia e no outro tirou os nomes dos bancos da igreja. As igrejas tinham os bancos com o nome das famílias. Os bancos eram reservados. E o povo que ele amava – porque o Padre Donizetti amava o povo, amava gente – ficava de pé. Ele ensinou que o pobre é outro Cristo, que nosso irmão é outro Cristo vivo. Quando nós chegamos para rezar ele disse: aqui na casa do Pai todos são iguais. Aqui não tem mais banco escrito com nome de família de ninguém. Então havia o choque. Ele tinha coragem. Ele nunca teve medo.

P – É verdade que ele fechou a porta da igreja uma vez, depois do sermão, para um grupo que sempre saía durante a pregação?
Maria – Não, não é verdade. Ele não fechou, não. Eu cantava no coro. Toda vida eu fui lá de dentro da igreja. Era assim: tinha o cinema que soltava três foguetes para começar o filme. Então era hora da reza e as moças “Filhas de Maria”, muita bonitas, todas consideradas de elite, ficavam lá na frente. Soltava o primeiro foguete do cinema, elas se levantavam, iam na frente do Santíssimo já exposto, faziam sua oração e saíam. Quando acontecia isso ele gritava, olhava para trás e dizia: “não voltem mais. Aqui não é lugar de vistas repartidas, se querem ir ao cinema vão ao cinema. Se vieram à igreja estão proibidas de se levantarem, de saírem durante a reza, para ir para o cinema”. Ele falava isso pra gente e a gente considerava importante.

Ele nunca teve medo e não fazia diferença. Um dia chegou a mulher do delegado, toda despida para ir à igreja, ai o coroinha falou: “A senhora não pode entrar aqui. Tambaú não tem capela do Santíssimo. O Santíssimo fica aqui no corpo da igreja”. Aí ela disse assim: “Eu vou entrar”. Padre Donizetti veio lá de dentro: “Não entra, não. De jeito nenhum, meu rebanho não entra, a senhora também não entra. A senhora é ovelha nova aqui, tem que obedecer. A senhora vai se compor, colocar uma echarpe e depois volta”. Ele tinha atitudes assim. Ele não tinha medo. Fosse com quem fosse.

No entanto ele era procurado por tudo quanto era gente importante deste Brasil. Por sua cultura, inteligência, capacidade. Eu me enfezo quando vejo Padre Donizetti em medalhinha, aquela exploração lá em cima. Vendendo santo. Padre Donizetti não precisa disso gente. Padre Donizetti nasceu santo e morreu santo. E ele sempre falava assim pra gente: “Cuidado com o santo burro. Maria, o pior santo é o santo burro. Ele é santo, mas ele não sabe por que não tem inteligência. Então Deus dá para quem ele quer. E ele, coitado, não sabe usar. Então cuidado com o santo burro, com santo de última hora” (...) Todo sacerdote queria conhecer a vida do Padre Donizetti. Ele dizia que iria morrer com o batinão dele. E morreu com o batinão dele.

Vera – Ele achava que a batina era a farda do sacerdote.

Maria – O distinguia. Padre Donizetti foi o homem mais extraordinário.

Vera – E não sou saudosista, não.

Maria – Também não sou saudosista. Eu acho que o Padre Edson é um bom sacerdote.

Vera – Quando eu estava na escola ele falava sobre socialismo. Isso há quarenta anos atrás. Ele preconizava. Não é que ele estava prevendo. Ele era inteligente. Ele via.

Maria – Há quarenta anos ele fazia reunião conosco, “filhas de Maria” e explicava: “O feto dentro da mãe grava impressões exteriores. As moças que vão se casar tomem cuidado. Tem que levar uma vida correta, normal”. E ele explicava direitinho. Esses cursos de casamento que dão aí, ele dava para a gente em geral, para todas as “filhas de Maria”. Quem casasse, casasse. Quem não casasse, também ficava sabem como o mundo é.

P – Ele mesmo dava aulas?
Maria – Ele dava aulas pra gente. Catecismo. Ele ensinava direitinho. Ele classificava os pecados. Ele era engraçado. Ele falava para crianças: “Você pega um giz e rabisca a parede do vizinho. O vizinho tem que gastar tinta pra pintar a parede. Isso está incluído no roubo. Não é só ladrão o que abre a gaveta do outro e pega o dinheiro. O que risca, o que escreve, o que fala, o que destrói, o que desmoraliza é ladrão da honra, do dinheiro e da propriedade”. Hoje tem esse negócio de psicologia. Nós estamos cansadas de saber disso aí. O povo de Tambaú teve muito ensinamento. Nós não éramos bobas, não. Nunca fomos. Vinha sempre o monsenhor Henrique Magalhães, um grande orador. Ele vinha muito aqui fazer conferência para nós, para os marianos. Ele tinha 1.200 marianos com ele.

Vera – Eles falam agora de sindicato dos operários. O Padre Donizetti já tinha.

Maria – Ele já tinha o Sindicato. Isso não é novidade para nós. Eu vejo a “Família Cristã”, vejo tudo isso e digo: “Padre Donizetti era inteligente mesmo”.

Eles tentaram matar o Padre Donizetti em Vargem Grande vezes sem conta. Aqui também. Eu sei o que aconteceu que eles falavam que os ricos não gostavam dele. Tinha uma ala da minha gente que fez isso. Uma ala dos Fontão, que brigava com o Padre Donizetti. Era duríssimo, porque ele queria mandar e desmandar. Ele sempre foi correto, ele sempre foi bom, ele sempre foi educado. Ele sempre foi santo.

P – Quanto aos milagres. O que vocês acham?
Maria – Eu acompanhei um. Aconteceu uma coisa comigo. Quando eu estava na igreja, onde eu cantava ou ensaiava, às vezes doía o dente das meninas, doía a cabeça. E as meninas falavam para o Padre dar a benção e sarava. Mas eu falava que ele podia me dar a benção, mas que é para arranjar um Melhoral também. Ele me dava o remédio e passava. Um dia, antes de começar aquele negócio de bênçãos, eu fiquei um uma conjuntivite virulenta. Então tinha pus, inflamação. Eu saí de casa e fui ao Padre Donizetti pedir uma benção. Cheguei lá e ele estava no sofá. Ele disse: “Muito bem, então a senhora sumiu daqui e agora resolveu voltar!”. Eu pedi a benção e ele disse para eu me ajoelhar. Ajoelhei-me e ele colocou o dedo no meu olho e deu essa benção. Ela é linda, né? Ele acabou de dar a benção e depois começou a conversar de política e quando acabamos de conversar eu me levantei e fui embora. Quando passei pelo porta-chapéus da casa dele eu olhei no espelho e depois sai. Cheguei em casa e não tinha mais nada no olho. E depois teve o milagre da minha sobrinha, Rita.

Vera – Na época das bênçãos foram falar para ele que nós não acreditávamos nos milagres. Ele ficou bravo e mandou nos chamar. Eu disse: “Senhor Vigário, o senhor está bravo com a gente?” Aí uma delas falou: “Elas não acreditam”. Eu disse: Senhor Vigário, nós estamos agindo como o senhor sempre ensinou. “Cuidado com os falsos profetas. E agora, Padre Donizetti, nós vamos acreditar no que o senhor pregou ou no que estamos vendo agora?”. Ele me abraçou e disse: “continue acreditando no que a igreja ensina”.

Maria – “Fique sempre com o bom senso da igreja”. Eu falei para ele: “Padre Donizetti, eu nunca disse que não acredito nos seus milagres. Primeiro que aqui fica tanta gente que a gente não entra. Não chega. E eu fico lá em casa recebendo tanta gente que vem”. Ele sempre ensinou na igreja que há três fatores para esses pretensos milagres: o clima, a água e o sistema nervoso. Agora a parapsicologia está explicando isso, mas naquele tempo ninguém sabia disso. “O senhor ensinava as coisas para gente e agora fica bravo”. Mas nessa altura ele já estava doente, com má circulação.

Vera – Um dia ele mandou me chamar: “Vera, eu preciso te contar”. Ele era muito engraçado. E era muito amigo do meu pai. Ele disse que encontrou com meu pai e disse que não estava enxergando muito bem. Ai meu pai emprestou um par de óculos para ele. Ele pegou e disse que estava ótimo. Disse que tinha sentido uma tontura depois de rezar a missa e o Doutor Zezinho disse para ele que podia ser da vista. Aí ele foi numa ótica em São José do Rio Pardo e disseram que aqueles óculos não serviam pra ele. E ele disse: “Não servem mesmo, não são meus”. Ele ficou quatro anos usando os óculos do meu pai.

Maria – Quando Padre Donizetti ia fazer a prática, ele começava a falar que amava Nossa Senhora. Eu já vi alguém amar alguém, mas como Padre Donizetti amava Nossa Senhora eu nunca vi. Era a invocação dele: “Virgem Mãe de Deus”. Ele começava a falar em Nossa Senhora e se entusiasmava. Tinha aqueles punhos engomados e ele arrancava os punhos e jogava lá no meio da igreja. Às vezes voavam, às vezes ele tirava aquilo, porque aquilo incomodava. Ele achava, como sacerdote, apesar de discordar, que a igreja devia estar sempre com romeiros. Era no tempo de Washington Luis e depois dele, Getúlio Vargas.

Vera – Um dia ele estava falando de Washington Luis no púlpito e tinha um menino, mocinho hoje, que é dono de cartório, o Mauro Caprioli e, quando o Padre estava falando do governo, ele levantou, olhou bem para o Padre e gritou: “Viva o Getúlio Vargas”. E o Padre respondeu: “Mas que coisa, hein! Em Tambaú até criança fala de política dentro da igreja”. Quando chegou no tempo da revolução ele contornou bem a situação, não houve arrelia. Ele tinha pulso.

P – Que revolução?
Vera – De 32.

Maria – Sabe quem esteve à Tambaú como médico das tropas regulares lá de Minas? Juscelino Kubitscheck. E Padre Donizetti logo entrosou com ele.

Aqui em Tambaú, nas fábricas, havia corredores e ali tinha escorpião, lacraia, aranha, cobra. Tinha muita cobra. Então o operário era mordido, picado e morria sem assistência. Até chamavam Padre Donizetti de “O Sacerdote das Cobras”. Porque ele ia para o alto falante, tocava a marcha do soldado lá no Aimone, porque ele tocava muito bem. Chamava a atenção da população e pedia que caçasse cobras, escorpiões, para mandar para o Butantã para vir de volta o soro. Na casa dele, tinha umas mesas cheias de jornais de revistas. E tinha umas compoteiras em cima, junto com as caixas das cobras. Às vezes chegava alguém pedindo esmola e ele pedia para a gente procurar por ali e o que achasse era para dar. Fossem cinquenta mil réis, cem mil réis, naquele tempo era bastante dinheiro. As pessoas iam lá e deixavam para ele. Ele falava: “Pode dar isso”. A gente ia abrir a compoteira e olha as cobras lá em cima, dentro da compoteira. As cobras fugiam da casa dele e iam para os vizinhos. Ali no Mário, diz que um dia a dona Josefina chegou na sala e tinha um rolo de cobra lá. E ele ria. Ele conseguiu salvar a vida dos operários com esse trabalho com o Butantã. E todo mundo caçava cobra. O interesse era geral. Agora já tem o soro antiofídico. Mas naquele tempo não tinha. Chegou ao ponto de morrer operário porque não tinha o soro. Isso ele conseguiu aqui em Tambaú. E esse negócio de guardar cobra na compoteira é porque não tinha mais onde por. Eu mesma fui abrir uma compoteira com a cobra lá dentro e sai pulando, porque dá medo, né? Elas fugiam pelo jardim, se penduravam nas árvores.

P – Ele defendia muito o direito dos empregados?
Maria – Defendia. E ele foi chamado de comunista por isso. Quem acusou ele de comunista? As pessoas que tinham posse, as que exploravam o trabalho humano, as que não davam condições de vida.

P – Tem alguém que está vivo hoje e que na época teve algum atrito com o Padre Donizetti?
Maria – Padre Donizetti teve atrito com quase todo mundo que era meio fortão. Eram grupos políticos e nisso eles se afinavam. Tanto de um lado quanto do outro, ficavam com raiva do Padre Donizetti. Porque ele não tinha medo. Ele gritava mesmo. Ele formava essa sociedade dos operários. Ele defendia os operários. Ele gritava pelo salário, pela justiça, que pagassem direito, que não explorassem o trabalho dos operários, que o operário tinha o tempo do trabalho do patrão e o tempo para a família dele. Que o patrão tinha que pagar decentemente o operário para sobrar tempo para ele se dedicar à família, para educar os filhos, para orientar, conversar com o filho.

Porque eles pagavam aqui em Tambaú com o vale ou senão assinavam a folha em branco. Eu vi muito isso, porque eu trabalhei trinta anos no Posto de Saúde, de puericultura. E lá em via. Eu tinha ficha social, ia nas casas fazer levantamento. Trabalhava com gestantes. O que o SOS faz aí eu fazia sozinha lá no posto de puericultura. Orientação do Padre Donizetti, porque a Associação de Proteção à Maternidade e Infância no fim ficou ele e a gente trabalhava de acordo.

Aí sempre teve uma ala contra o Padre Donizetti. Mas justo por isso, por causa dos direitos do ser humano. Direito de viver, de amar os seus familiares, seus amigos e ter hora de lazer. Ele arrumou uma biblioteca para o centro operário e a gente foi lá catalogar os livros, fazer fichários, para os rapazes, os operários irem ler. Ele foi mostrando aos operários que eles eram gente, não burros de carga, animais irracionais. Se houve alguma onda contra o Padre Donizetti, o senhor pode crer, foi por isso. Ele era esclarecido, era culto, era educado, era um santo sacerdote. Um bom sacerdote. Só isso. E agora eles ficam aí com essa exploração. Diz que tem um livrinho por aí que é um vexame, uma vergonha.

Entrevistador – Têm vários.
Maria – Não pode. A igreja não pode permitir uma coisa dessas. Precisa tirar. Eu já falei pra “Mariinha”.

P – E sobre uma cilada que ele teria sofrido?
Maria – Eles armaram ciladas. Tentaram desmoralizar o Padre Donizetti de todo jeito. Os antigos lá de Vargem Grande contavam que uma vez fizeram uma cilada pra ele. Não vou falar o nome da mulher porque pode ser que me falha. Eu misturo com outra e é uma acusação grave. Essa mulher disse que havia uma pessoa doente na casa dela. Ele foi com um amigo e parou na porteira, dizendo para o amigo esperar. Foi até a casa e tinha uma mulher para tentar o Padre Donizetti. Ele era bem moço. Mas ele escapou de lá. A preocupação do Padre Donizetti era de não deixar a igreja ser atingida. Ele achava que o ministério dele era uma coisa tão sagrada que não podia ser atingido. Ele preferia morrer a se deixar atingir como sacerdote.

Outra vez fizeram outra cilada. Um inimigo dele mandou chamá-lo na cidade dizendo que tinha um homem morrendo na fazenda. Ele foi, entrou na casa que estava toda iluminada e não viu ninguém. Ai veio um empregado e ele disse: “Cadê o doente”. O homem respondeu que estava no quarto. Ele entrou no quarto e tinha um homem na cama, virado para o canto. Ele chamou o homem e viu que ele tinha morrido. Quando ele chegou perto, saiu um homem de baixo da cama que era para matar ele. Isso Vargem Grande inteirinha sabe. Minha mãe também contava isso e o Padre Donizetti mesmo confirmou.

Na próxima entrevista: Custódio de Rezende.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Vozes do Passado - Lindolfo Dutra

Paulo Rogério B. Rocco

“Quem perdeu o trem da história por querer, saiu do juízo sem saber. Foi mais um covarde a se esconder diante de um novo mundo”.

(Beto Guedes e Ronaldo Bastos)

Em uma verdadeira pesquisa jornalística, principalmente de fundo histórico, é preciso que o repórter entreviste os vivos e os mortos. Não é porque a pessoa deixou de existir que devemos deixar a história morrer com ela.
Logicamente, esse trabalho fica muito mais fácil para o profissional quando há material, escrito ou gravado, com esses relatos.
Do meu arquivo pessoal, irei transcrever aqui uma série de entrevistas realizadas há mais de trinta anos, tendo como tema o Padre Donizetti Tavares de Lima.
O primeiro entrevistado nasceu no ano de 1900 e viveu até 1982. Foi assistente do Padre Donizetti durante muito tempo e conviveu com o vigário de Tambaú por cerca de cinquenta anos.
Nossa primeira entrevista desta série foi realizada em 21 de Julho de 1979. Esta voz do passado é do senhor Lindolfo Caetano Dutra.
Bem vindo ao trem da história.

Entrevista com Lindolfo Caetano Dutra (foto)

Pergunta – Seu nome?
Resposta – Lindolfo Caetano Dutra.

P – Quantos anos o senhor tem?
R – 79 anos completos.

P – O senhor conheceu bem o Padre Donizetti?
R – Faz mais de cinquenta anos. Eu o conheci muito antes de ele vir pra Tambaú.

P – O conheceu quando ele estava em Vargem Grande?
R – Sim. Ele fez meu casamento lá em Vargem Grande, dia 24 de Julho. No dia 26 de Julho ele veio para Tambaú.

P – De que ano?
R – Em 1926.

P – O que o senhor achou de mais interessante no Padre Donizetti?
R – Ele sabia o que estava para acontecer. Ele dava as bênçãos em particular. Orava. E quando a pessoa sarava, ele falava: não me conta para ninguém que eu não quero que as pessoas de fora saibam. Só meus paroquianos.

E foi continuando assim. Desde que ele chegou, até 1954. No dia 2 de Novembro de 1954, teve uma reunião da Congregação Mariana e das Filhas de Maria. Eu era o presidente da Congregação Mariana. Uma congregada pediu a ele: “Padre Donizetti, o senhor me dá licença que estou sofrendo muito com o dedo. Estou com penariz e está me doendo muito”. E ele falou: “Não minha filha, fica aí. Senta aí”. Ele arrumou uma cadeira e ela sentou. Fizemos a conferencia toda e às dez e meia da noite nós terminamos. Quando todos estavam despedindo dele, ela veio se despedir e ele perguntou: “Minha filha, como vai o dedo?”. O penariz sumiu e ele não viu. Não percebeu. Quando ele falou e ela apertou a mão dela ela disse: “Padre Donizetti, não tenho mais nada”. Ele disse então: “Minha filha, estou indo embora. Não conta para ninguém”.

Depois em seguida eu vim com ele e aqui no jardim eu me despedi. Ele foi para a casa dele e eu vim para a minha. Então chegou um carro na casa dele. Como naquela época era raríssimo esse negócio de carro, principalmente à noite, ele me chamou para ir ver quem estava naquele carro. Eu fui com ele. Chegamos e eram dois senhores.
Um deles falou de dentro do carro: “Padre Donizetti, isso é hora de ficar na rua?” O Padre conheceu a voz dele e respondeu: “Vocês também, o que estão fazendo?”
Então chegamos e cumprimentamos. Eram dois médicos de Poços de Caldas. Padre Donizetti convidou-os para entrar. E eles disseram: “Não. Nós viemos aqui só para ver o senhor. Para cumprimentar”. Eles já eram amigos velhos, desde Vargem Grande. O padre insistiu e eles desceram um pouco.

O Padre perguntou para um dos médicos: “Como vai de saúde? A família? Tudo bem?”. Um disse que ia indo muito bem. Já o outro falou que não. “Olha Padre Donizetti, para mim não vai nada bem. Eu estou com uma filha doente há muito tempo. Está desenganada pela medicina. E já fui para os Estados Unidos, fui na Alemanha. Levei-a e não adiantou nada. Ela esta cada vez pior”.

Padre Donizetti disse: “Tenha fé em Deus que sua filha vai sarar. Você vai encontrar sua filha boa quando chegar lá na sua casa”.
Mas o médico não ligou para isso. E eles foram para Santa Rita do Passa Quatro. Pois eles tinham sido chamados naquela cidade. No dia seguinte ficaram lá e no outro voltaram para Poços de Caldas. Quando o médico chegou na casa dele, encontrou sua filha debruçada no alpendre.
Ele perguntou: “Minha filha, o que está havendo?”. E ela respondeu: “Ah, papai. Eu não tenho mais nada”.

Quando ela falou que não tinha mais nada ele se sentiu mal. Quase desmaiou. Mas não se lembrava do Padre Donizetti. Então ele entrou em casa e a mulher disse: “De anteontem para cá ela melhorou e não tem mais nada”. Quando foi a tarde ele disse para a mulher: “Parece que o Padre Donizetti me disse que eu iria encontrar minha filha boa”. E foi na casa do outro médico que confirmou: “O Padre falou isso sim”. Então o primeiro disse: “O Padre Donizetti curou minha filha”.

No dia seguinte, eram umas sete horas da manhã, vieram os dois médicos e as duas famílias aqui, agradecerem a cura da filha.
Padre Donizetti disse: ”Meu filho, eu não curo ninguém. Eu peço a Deus. Então Deus atende ao pedido”.

E foi por Deus que isso tudo começou. Um dos médicos disse: “Padre Donizetti, nós temos um grande amigo lá em Poços de Caldas que ele não pode morrer agora. Nós estamos trabalhando e lutando por ele. O senhor dá licença de eu mandar ele aqui?”.
O Padre respondeu que sim.
Quando eles saíram, eu disse: “O senhor disse que não era para ninguém saber. Aí o senhor cura a filha do médico e diz que ele pode mandar um doente aqui?”.
E ele respondeu: “Agora não sou eu mais que quero. Agora é Deus que quer”.

No dia seguinte veio o velho doente, o senhor João. Um bilionário de Poços de Caldas que era produtor do vinho Marcassa. Chegaram a tarde. O Padre deu a benção, mas não manifestou nada. Ai foram posar no hotel. No outro dia o trouxeram cedo. O padre deu nova benção e não manifestou nada. Mas quando foram embora, perto de Águas da Prata, para subir para Poços de Caldas, o velho começou a melhorar.
Quando chegou no alto da serra, o velho disse: “Parece que eu não tenho mais nada”. Começou a ficar alegre, mexendo no carro. Quando chegou na casa dele, desceu do carro e viu que não tinha mais nada.

Ai ele mandou o filho nas estações de rádio convidar o povo em geral para ir a casa dele assistir a uma grande festa que ele iria fazer pelo grande milagre que tinha recebido do Padre Donizetti de Tambaú.
E mandou anunciar também nas rádios, jornais de Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, tudo quanto era capital. Aí foi onde se sucedeu as romarias.
Depois esse velho ainda veio aqui muitas vezes. Era um grande amigo meu.

Tempos depois veio a mãe do Jânio Quadros, que era governador do Estado. Ela andava sempre doente e pediu para o filho trazê-la em Tambaú, que o Padre aqui estava fazendo cura. E o Jânio a trouxe aqui em Tambaú. O Padre deu a benção e ela sarou. Quando foram despedir-se Jânio disse que o que o Padre precisasse aqui em Tambaú, que ele estaria à disposição.

E foi preciso a ajuda de Jânio, pois o movimento foi aumentando, aumentado e chegou num ponto que não tinha mais nada em Tambaú nem para comer. A multidão era demais. Trinta, quarenta mil pessoas diariamente. Era dia e noite. As pessoas dormiam debaixo de carros, de ônibus. Era uma coisa fora do comum.

Tinha pessoas que eram picadas por cobras e ele dava a benção e a pessoa não tinha mais nada. Depois que ele veio para cá não morreu mais uma pessoa picada de cobra. E antes era demais. Existia muita cobra. Eu mesmo, na fazenda do meu pai, pegava uma média de quarenta, cinquenta cobras por mês e mandava para o Butantã, por intermédio do Padre.

Começou com a filha do médico. Depois o milionário para anunciar. E a mãe do Jânio Quadros para garantir a notícia. E deu tudo certinho. Depois continuou dando benção. Até hoje muita gente está recebendo graças.

P – É verdade que o Padre Donizetti defendia os pobres e ele ficava um pouco irritado com os fazendeiros?
R – Ficava quando eles cometiam erros. Os pobres todos vinham aqui clamar por ele. E ele era muito amigo dos pobres. Ele dava a vida por eles.

P – O que o senhor viu ele fazer pelos pobres?
R – Eu vi muitas vezes. Quando atrasavam os pagamentos dessas fábricas, ele chamava a atenção dos patrões e eles faziam os pagamentos. O padre não aceitava pagamentos com ordem, pois se usava muito isso. E ele então falava mesmo para os patrões. Falava no púlpito da igreja que não aceitava pagamento com ordem. Porque ordem era um roubo. E ele falava abertamente.

P – O que era pagamento com ordem?
R – O Patrão escrevia um bilhetinho e arranjava um comércio qualquer para fornecer aos empregados. Então eles pagavam com ordens e quando chegava o tempo, o patrão ia ao comércio e pagava.

P – Ele era um homem calmo e tranquilo?
R – Não. Ele era nervoso. Muito humilde, mas nervoso. Ele levantava a voz. E ninguém o enfrentava.

P – O que deixava ele nervoso?
R – Naquela época estavam começando a usar roupas muito decoradas, saias muito curtas. Calça comprida para mulheres. E ele não aceitava. Ele colocava dois congregados na porta na igreja que não deixavam as moças entrarem se não estivessem vestidas adequadamente, fossem filhas de quem fossem. Um dia umas moças, filhas de um poderoso, estavam entrando com vestidos curtinhos e ele não deixou. Aí vieram os pais da moça. Esperaram ele acabar a missa e foram falar com ele. E o Padre disse: “Eu não aceito mesmo, aqui quem manda dentro da igreja sou eu”. E é melhor vocês voltarem para suas casas. Só aceito uma senhora, uma moça, que mora na cidade e vai visitar suas fazendas, que usem calças compridas, mas dentro da igreja não. Depois começaram a encrencar com ele e até o processaram como comunista.

P – Quem o acusou de comunista?
R – Foi um delegado, um dentista, um político e mais um. Eram quatro pessoas.

P – Eles achavam que ele era comunista por quê?
R – Porque ele apoiava muito a pobreza.

P – E ele tinha vida de pobre?
R – Tinha sim. Ele não aceitava dinheiro. As pessoas chegavam lá e iam dar dinheiro pra ele e ele não recebia. Dizia: “Entrega lá para o Dutra”.

P – E o senhor que tomava conta de tudo?
R – Na parte do dinheiro eu tomava conta de tudo. Fazia os depósitos de banco. Depois estava acumulando muito dinheiro nos bancos e ele me pedia para comprar casa e terrenos. Como de fato comprei casas, terrenos muito bons. Foram todos comprados com dinheiro que o povo dava. Os romeiros. E temos muitas obras que foram feitas com dinheiro dos romeiros. Inclusive o Santuário e o lar São Vicente.

P – Ele se dava bem com o prefeito da época? Ou eles viviam brigando.
R – Com o prefeito ele não brigava. Era uma pessoa muito boa. A prefeitura ajudava nas obras com uma parte de 30 %, o resto era dinheiro dos romeiros.

P – Nos últimos anos da vida do Padre Donizetti ele estava muito doente? De que ele morreu?
R – Estava doente. Ele baqueou muito. Ele morreu talvez seja do coração. Em 1955, foi quando ele parou de dar as bênçãos, em 30 de maio, ele suspendeu as bênçãos todas. Ele ficou cinco meses sem atender ninguém. E todos os dias tinha movimento. Eu disse a ele para colocar um horário para atender o pessoal, já que vinha muita gente de longe. Sugeri até que ele colocasse medo nas pessoas. Que desse a benção e dissesse para eles voltarem para suas casas, para não correrem o risco de terem doenças. Ele disse que não queria isso para não aumentar as romarias outra vez. Mas até o dia dele morrer, ele dava a benção às oito da manhã e às quatro da tarde. E às quatro da tarde não dava mais tempo para as pessoas irem embora.

P – Ele falava muito de Nossa Senhora?
R – Ele era muito devoto. Ele veio para cá e quando fazia uns anos, queimou a matriz de Santo Antonio. A imagem de Nossa Senhora não queimou nem o manto. Apesar de que chegou um sujeito da cidade ai e quando o fogo tava queimando os caibros, o telhado, tudo caindo, ele entrou lá dentro, pegou a imagem de Nossa Senhora Aparecida e saiu correndo. Quando chegou na porta da igreja ele não aguentou o calor e jogou ela no jardim. Não queimou o manto e não quebrou a imagem.

P – Quem entrou lá dentro?
R – Esse sujeito. Mas ele era meio atrapalhado, pois se fosse uma pessoa normal não teria entrado no meio daquilo lá tudo. Mas aquilo já era um milagre. Uma pessoa entrar dentro do fogo, dentro de uma igreja que estava caindo tudo.
Outra história sobre a santa era que um dia o tempo estava nublado. Mas não estava de chuva. Ainda há três pessoas que comprovam isso. A procissão saiu com a imagem. Aí caiu uma chuva forte. Quem estava na procissão não se molhou. Só molhou os calçados, pois a enxurrada era muita.

P – Por que ele foi embora de Vargem Grande?
R – Um repórter da Globo disse que ele saiu corrido de lá. Que o povo expulsou ele de lá. Mas não foi isso. Os fazendeiros eram contra ele. Eu não estava lá, mas meus parentes, tios e meu irmão, assistiram isso em Vargem Grande. Marcaram um dia de colocar ele num animal e soltar esse animal pelos campos. Esse dia ele não dormiu. Ficou a noite toda na rua passando em frente à porta dos inimigos que ele tinha. Mas ninguém mexeu com ele.
O bispo de Ribeirão Preto mandou várias cartas pedindo pra ele sair de Vargem Grande, dizendo que ele tinha inimigos lá. Porque ele defendia os pobres. Os inimigos dele eram os bilionários de lá. Os coronéis. Mas ele não queria sair de lá.
Ele teve um sonho, que me contou. No sonho ele ouviu uma voz que disse pra ele sair de Vargem Grande. E nós tínhamos um padre aqui que foi para Portugal e disse que não iria voltar mais. Ai o senhor bispo mandou um telegrama pro Padre Donizetti dizendo pra ele vir para Tambaú, que a paróquia estava desocupada. No outro dia ele saiu de noite de lá e quando amanheceu ele já estava aqui.

P – Aqui era diocese de Ribeirão Preto? Como chamava o bispo?
R – Era sim. Chamava-se Dom Alberto.

P – O que restou para Tambaú do Padre Donizetti? Valeu a pena essa passagem dele por aqui?
R – Muitos ainda pedem para ele. São devotos de Padre Donizetti. E mesmo na parte financeira da cidade ainda tem muita gente que vive das romarias.

P – Quantos habitantes tinham na época que o Padre Donizetti veio para cá?
R – Em 1926 Tambaú estava com uns três mil habitantes na cidade. Uns cinco mil no total. Hoje a cidade está beirando uns vinte mil.

P – O Padre Donizetti ajudou o Pedro Geraldo Costa na política? Ele pediu para o Pedro Geraldo se candidatar?
R – Sim, para vereador em São Paulo. E eu estava junto quando ele disse isso. Pedro Geraldo disse que não tinha muita vocação. O Padre disse que garantiria aqui. Quando vinha gente ele dizia que em São Paulo tinha um mocinho muito bom, que era para dar um votinho pra ele. E isso era todo dia.
E ele ganhou. Foi o vereador mais votado de São Paulo, em 1957. Depois ele se candidatou para deputado e o Padre deu uma mão também.
Ele tem um disco da benção do Padre. Padre Donizetti não deixava ninguém gravar a benção. Ele só deixou o Pedro Geraldo Costa gravar para a rádio Nacional.

Na próxima entrevista: as irmãs Vera, Maria e Constança Sandoval.

sábado, 23 de maio de 2009

As palavras de Donizetti na Última Benção - 30 de Maio de 1955

"Caríssimos amigos, caríssimos irmãos. Sentirme-ei naturalmente confundido se me considerarem aquele objeto de tanta consideração de pessoas tão distintas na representação de São Paulo, Santos e também de Tambaú. Entretanto é preciso que se diga: sempre fugi durante toda a minha vida de receber manifestações que me provocassem naturalmente vaidade ou orgulho, que eu nunca tive em minha vida.
Por esta razão eu ontem e anteontem, sabedor da extensão de tantos amigos, li em dois jornais lá de São Paulo as manifestações que deveriam fazer a mim por parte do povo de Tambaú, na igreja. Proibi, como sempre tenho proibido, manifestações a mim.
Tudo considero vindo de Deus e da Sua palavra, na medição que faço nos evangelhos, na vida, visando o ensino e o exemplo.
O ensino, sentindo o que sentiam os Apóstolos, no dizer de Nosso Senhor Jesus Cristo: vocês meus apóstolos, saiam pelo mundo, batizem; na pregação evangélica não se preocupem com o que vão dizer, porque quem que fala é o Divino Espírito Santo. Vocês naturalmente se expressam com os lábios, com os vossos pulmões, com que há de literário na própria pessoa de cada um de vocês.
Não tenho me preocupado com o Novo ou Velho Testamento, pois sem me preocupar com o que digo, espero, como sempre esperei, a inspiração natural do Divino Espírito Santo, para aqueles que trabalham todo integro para Deus Nosso Senhor.
Os meus afetos têm sido sempre para a religião católica, procurando sempre obedecer aos meus superiores hierárquicos, o que pretendo sempre, até o momento de exalar o ultimo suspiro que é a despedida que terei que fazer como todos fazem neste mundo, fechando meus olhos tranquilamente para abri-los para toda a eternidade, na contemplação da presença de Deus Nosso Senhor, a quem tenho servido, sirvo e servirei; enxergando na pessoa de cada um dos meus superiores hierárquicos, daqui até Roma.
É nessa condição então que, falando nesse momento, agradecendo o que vem para mim, considero para Deus Nosso Senhor.
Não é preciso que encaminhe porque nem sei, intelectuais que são, naturalmente, se dirigem a Deus na minha pessoa.
Esta saudação tão bem feita, tão sincera, tão do fundo do meu coração na vibração da cintilação da alma de cada um, vem representando perfeitamente o sentimento católico de cada um, pois bem, pedindo a Deus Nosso Senhor para cada um dos presentes e para todos os seus e suas respectivas famílias.

Isso é natural, Deus lhe sirva da forma de uma benção que é a prece que eu faço a Deus, tendo como apoio Nosso Senhor Jesus Cristo que lá no céu, tem ao seu lado Maria Santíssima, sobre nobilíssimo titulo de Nossa Senhora da Aparecida, desta forma então dando a benção.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Cerimônia Oficial encerra etapa diocesana do Processo de Beatificação

Na Missa em que o Bispo Diocesano, Dom David Dias Pimentel, celebrou o final da etapa brasileira do Processo de Beatificação do Padre Donizetti Tavares de Lima, estiveram presentes o Prefeito Municipal de Tambaú, Antonio Agassi; a vice-prefeita, Maria Aparecida Morandim; o Secretário de Estado do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin; o Secretário de Estado de Gestão Pública, Sidney Beraldo; os Deputados Carlos Sampaio, Nelson Marquezelli, Rafael Silva e Silvio Torres; vereadores de Tambaú e região; prefeitos da região; o jornalista tambauense Joelmir Betting; autoridades eclesiásticas; padres e diáconos da diocese.
Após a celebração da santa missa, na esplanada do Santuário Nossa Senhora Aparecida, o encerramento do Processo de Beatificação continuou dentro da igreja (foto), com a cerimônia oficial, restrita à religiosos, autoridades, imprensa e convidados, já que o espaço não acomodaria a grande quantidade de pessoas que estava na praça.
A cerimônia contou com a presença, na mesa principal, do Reverendíssimo Bispo Diocesano Dom David Dias Pimentel; da Notária Atuária Dra. Ana Lúcia Ferreira Frigini; do Promotor de Justiça, Monsenhor Augusto Alves Ferreira e do Juiz Delegado, Padre Celso Abreu de Jesus. Esteve também presente o Postulador do Processo, Frei Paolo Lombardo.

Após a leitura da ata da reunião, foi lacrada, com o selo do Bispo Diocesano, a caixa de acrílico com os restos mortais de Padre Donizetti que, após visitação pública, foi colocada dentro da caixa de madeira exibida durante a missa e depois instalada no Mausoléu.

Restos mortais de Donizetti foram expostos à população

Como parte da cerimônia de encerramento do processo de beatificação em nível diocesano, os restos mortais do Servo de Deus, Donizetti Tavares de Lima, foram expostos à população de Tambaú e aos romeiros na noite de 16 de Maio.
Os ossos foram depositados em uma caixa de acrílico, separados em compartimentos (foto).
O recipiente foi lacrado e selado pelo Bispo da Diocese de São João da Boa Vista, Dom David Dias Pimentel.
Depois da visitação, a caixa foi colocada dentro de outra, feita de madeira e por fim, depositada no mausoléu construído no interior do Santuário Nossa Senhora Aparecida.


segunda-feira, 18 de maio de 2009

Encerramento Brasileiro do Processo de Beatificação do Padre Donizetti aconteceu neste sábado

Neste sábado, dia 16, exatamente um mês antes do 48º aniversário de morte do Padre Donizetti, Tambaú passou por um momento de fé, que vai entrar para história do cenário religioso do país. Milhares de pessoas assistiram à Missa de Encerramento da Fase Diocesana do Processo de Beatificação do Sacerdote (foto). O encerramento foi realizado em cerimônia pública com a trasladação dos restos mortais do Padre Donizetti em uma carreata que saiu do Cemitério Municipal e chegou por volta das 18 horas na Praça Padre Donizetti, onde foi realizada a celebração da Santa Missa, presidida pelo Bispo da Diocese de São João da Boa Vista, Dom David Dias Pimentel. Em seguida aconteceu o encerramento jurídico e oficial dentro do Santuário Nossa Senhora Aparecida.
O Processo de Beatificação continua em andamento. Depois do encerramento da fase diocesana, todo o material conseguido em 17 anos de trabalho, seguiu para o Vaticano.

Após um ano termina restauração do altar original da Igeja São José

O restaurador José Romualdo Delsin, de Santa Rita do Passa Quatro, após um ano, está terminando seu trabalho no altar original (foto) da Igreja são José, onde Padre Donizetti celebrava.
Às vésperas do encerramento do Processo de Beatificação - etapa diocesana - do Padre Donizetti, que aconteceu neste sábado, dia 16, o altar foi transferido da Casa do Padre, onde ficava, para o Santuário Nossa Senhora Aparecida.
Todo o processo de restauração foi doado pelo profissional, em agradecimento a uma graça que alcançou do Padre Donizetti, segundo ele, há 10 anos.
Delsin afirma que uma viga do altar chamou sua atenção. Trata-se de um Pinho de Riga, madeira de origem inglesa que o restaurador calcula ter aproximadamente 217 anos.
Ele trabalha com restauração de móveis barrocos há 43 anos e para a recuperação do altar contou com o auxílio da tambauense Ana Cláudia Oliveira.